Embaixador francês expulso do Mali

O embaixador da França no Mali foi convocado esta segunda-feira 31 , pelo Ministério maliano dos negócios estrangeiros para deixar o país. Joël Meyer tem três dias para abandonar Bamaco. O caso ocorre após declarações do chefe da diplomacia de Paris, Jean-Yves Le Drian, denunciando a ilegalidade das autoridades de transição.

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O comunicado do governo maliano foi, entretanto, lido na televisão de Estado e afirmava que “esta decisão vem na sequência das declarações hostis e ofensivas” proferidas “recentemente” por Jean-Yves Le Drian e na sequência da “repetição de tais afirmações pelas autoridades francesas em relação às autoridades malianas não obstante os múltiplos protestos emitidos”.

Nestes últimos dias, nos meios de comunicação social franceses, o chefe da diplomacia de Paris tinha denunciado o carácter ilegítimo das autoridades de transição e denunciado a sua “fuga para a frente”. Ele tinha-se também afirmado convicto de que o grupo privado russo de forças para-militares Wagner já estaria a operar no Mali e que estaria “a proteger as autoridades em troca da exploração das riquezas minerais do país”.

As afirmações em causa são vistas por Bamaco como “contrárias ao desenvolvimento de relações amigáveis entre nações”.

As autoridades malianas afirmam-se disponíveis em manter o diálogo e prosseguir a cooperação com o conjunto de parceiros internacionais, incluindo a França, mediante o respeito mútuo e na base do princípio da não ingerência.

Na semana passada, a ministra da Defesa francesa, Florence Parly, deixou claro que o seu país não continuaria a envolver-se militarmente “a qualquer preço” no Mali, onde desde 2013 mantém tropas para lutar contra grupos `jihadistas`, após múltiplos desaires da junta militar que está agora no poder em Bamako.

Em entrevista à rádio France Inter, Parly disse que a França quer continuar a sua missão no Sahel e justificou essa vontade para que não seja permitido que “santuários `jihadistas` ou terroristas sejam estabelecidos naquela parte do mundo”.

 

Mas reconheceu que as condições para esta intervenção “são cada vez mais difíceis”.

 

O principal motivo são as decisões da junta militar no Mali, que, na opinião da França, têm uma legitimidade “questionável” porque não respeitou o calendário para organizar eleições e devolver o poder aos civis e pretende manter-se no poder “o mais que lhe possível”.

 

As autoridades no poder em Bamako manifestaram a sua insatisfação com a presença da força militar europeia Takuba, liderada pela França, e estão a negociar com a empresa privada de mercenários russa Wagner, ligada ao Presidente russo Vladimir Putin.

 

A França enviou um contingente militar para o Mali na sequência de um pedido nesse sentido das então autoridades malianas para ajudar a prevenir que grupos `jihadistas`, que controlavam muitas regiões do norte, conquistassem o resto do território.

 

Atualmente, existem cerca de 5.000 soldados franceses na força Barkhane, que integra militares de vários países do Sahel, e no dispositivo europeu Takuba, para assistir o exército maliano.

Mas no verão passado, o Presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou uma retirada e uma reconfiguração dessa força, que deve manter entre 2.500 a 3.000 efetivos até 2023

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