É uma situação atípica. No primeiro golpe de estado, Assimi Goïta foi nomeado vice-presidente. O presidente do Mali foi nomeado civil. A carta que tinha sido estabelecida pelas partes, a sociedade civil e militar, estava a ser desviada pelo presidente de transição. Houve então o segundo golpe de estado dentro do golpe de estado principal”, começa por explicar o empresário.

Em Bamaco, capital do Mali, Carlos Alberto Martins garante estar tudo aparentemente normal: “Faltam 9 meses para que as eleições se possam realizar. Não se vê nada de anormal, em Bamaco, em relação à situação política. A única coisa que eu sinto é que há um atraso na economia devido a toda esta situação”.

O empresário salienta que existe, no entanto, uma desconfiança assumida quanto às palavras dos militares.“É sempre de desconfiar porque ao longo da história, em todos os países onde há golpes de estado em que os militares estão envolvidos, há sempre uma certa desconfiança”, referiu, realçando, porém, a esperança num futuro melhor.

Temos de dar crédito a este militar porque ele tem assumido publicamente que está decidido a levar a bom termo esta transição e a respeitar os prazos para as eleições. Vamos dar-lhe crédito e acreditar que seja verdade”, diz, mostrando-se esperançoso.

O empresário fala ainda sobre as reações dos parceiros ao facto de França ter decidido suspender as operações militares conjuntas com o Mali.

Tanto a população maliana como os parceiros económicos já estão cansados desta situação, pois, segundo parece, é o único país no mundo onde há um golpe de estado dentro de um golpe de estado. Isto cria uma certa instabilidade para os parceiros económicos se a situação assim continuar porque não se vê que o país se possa desenvolver se esses golpes de estado se sucederem“, defende.

Segundo Carlos Alberto Martins, a população está a sofrer muito com a instabilidade que se faz sentir no Mali: “A população, os próprios malianos, estão cansados desta situação. Pode acreditar que há uma grande percentagem da população que come uma vez por dia, que não tem possibilidade de comer duas vezes. Na parte económica, vê-se que há também uma grande dificuldade”.

Por sua vez, o avanço dos jihadistas no país também é preocupante. “O que temos sentido e é o que se lê na imprensa é que os terroristas ganham terreno. Quando começaram estavam condicionados ao norte do Mali. Entretanto, já estão no centro do país. E agora com a França a não cooperar com os militares malianos, o que se teme é que os terroristas se aproveitem desta falha para irem até ao sul”, remata.